
Do bairro de Botafogo , Zona Sul do Rio de Janeiro, até a Barra da Tijuca. Trajeto demorado, engarrafamento certo no caminho e certamente uma história nova para guardar.
Eu cansada, um dia muito longo no trabalho, sem vontade de falar, olhando a rua passando pela janela.
A pergunta foi direta : "Desculpe perguntar, mas a senhora é casada?" Minha resposta pra essa pergunta é sempre " Sou Sim". Me calo, perdida em pensamentos.
Ele insiste : "A senhora acha que um homem que foi traído pela esposa e que ainda gosta dela é frouxo?" Lá vem coisa, pensei. Tinha que responder rápido , ele me olhava pelo retrovisor cara de desesperado, minha intuição era que esse homem era ele. Era um homem pequeno , nordestino, com forte sotaque. Respondi rápido usando a minha melhor psicologia: " Não acho não. A gente não manda no coração".
Dois quarteirões depois ele continua. " E se essa mulher deixou o cara e já foi viver com outro? A senhora não acha esse cara é frouxo?". Achei que estava enganada, que no final das contas ele poderia ser o outro. Devia ter ficado quieta, agora era tarde. "Moço depende da situação" retruquei.
"Essa mulher traiu o cara muito tempo, agora ela saiu de casa e foi morar com o amante. Ela e o marido tão se encontrando escondido. A senhora não acha errado o cara ainda querer ela?". Ainda seguindo a linha dele ser o outro mas totalmente confusa sobre quem seriam os personagens, retruquei: " Você acredita nisso? Afinal ela já saiu de casa pelo outro."
"Ela diz que ta arrependida. Fica ligando pro marido. A senhora não acha errado? frouxo!!Infeliz!!!"
A coisa mudava toda de figura, agora eu achava mesmo que ele era o marido apaixonado. Eu disse que se ele gostava dela e ela dele, melhor era passar uma borracha e voltar a viver junto.
"O pior Dona é que o cara que ela arrumou é bandido, disse qu mata ela e o marido se ela voltar pra casa."
Pensei que era melhor descer em São Conrado mesmo, por que mais um pouco eu não saberia o que dizer. "Sei que ela vai poder conversar com ele, mostrar que foi preciptada, ele vai entender" arrisquei.
" Não moça ele mata mesmo, o sujeito é matador, bandido ruim mesmo. Ele já falou e ameaça ela todo hora, se ela sair de casa ele mata ela." Caso de polícia pensei. "Olha! Acho que se os dois se amam e ela se arrependeu o marido deve perdoa-la de coração. Mas já que a situação é essa acho que ela deve ir falando devagar com o amante , não dar bandeira e ficar se encontrando assim que pode ser perigoso. É melhor ela sair da casa dele primeiro"
Chegando ao destino ele fala: " A senhora tem razão, esse homem sou eu. Vou agir com calma. Mas ficar sem ela não dá não. A gente já marcou de ir tomar cerveja e esticar num motel. Sou louco por ela"
Diante do fato respondi: " Quem vai mandar no coração, né?"
Sai preocupada pensando como devia ser fogosa a patroa , pulando daqui pra lá, colocando a vida do pobre apaixonado em risco. Matéria fácil pra coluna policial. Que Deus ajude!!!